10º PAINEL – Compliance Para Quem Faz Compliance

No terceiro e último dia de II Compliance Across Americas, o painel de abertura abordou o tema “Compliance para quem faz Compliance”. O painel contou com a participação de duas ganhadoras do 1º Prêmio Compliance Across Americas, Letícia Sugai (Veritaz / IPACOM), agindo como mediadora e Glades Chuery (Grant Thornton). Além delas, participaram Gustavo Biagioli (Demarest Advogados), Isabel Franco (Azevedo Sette Advogados) e Luciano Malara (Missão Compliance).
Embora haja algumas divergências dos estudiosos de compliance a respeito de sua origem, podemos afirmar que essa prática surgiu mais ou menos em 1930, como um marco regulatório na convenção de Haia. A proposta, na época, era ter um funcionário para fiscalizar determinadas transações entre as empresas, assim como monitorar atividades suspeitas.
Hoje, o compliance já é algo amplamente praticado no mundo todo, e no Brasil ele cresce muito, expondo profissionais a diversos desafios e conquistas. O painel se iniciou com os participantes comentando um pouco sobre suas carreiras no compliance e aos poucos foram falando de suas experiências na área. O destaque inicial foi da Glades que ressaltou a multidisciplinaridade que é muito útil na formação da visão do profissional de compliance.
Em seguida, Biagioli comentou: “comecei fazendo 10% de compliance e 90% de auditoria jurídica e hoje meu tempo é de 90% de compliance e 10% de auditoria jurídica”. Isso acontece com muitos profissionais do ramo jurídico, já que há uma tendência profissional em se falar e trabalhar com compliance dentro das empresas. “Felizes são aqueles que escolhem a carreira de compliance, muitos de nós herdam ou são apresentados a situações inusitadas que nos levam ao compliance, mas aqueles que são mordidos pelo bichinho do compliance se apaixonam”, completa Bigioli.
Isabel, falando de sua carreira, comentou que estava nos EUA, estudando, na época em que entrou em voga a Foreign Corrupt Practices Act (FCPA), em 1977, e ela foi levada pelo trabalho com compliance desde que houve esse nascimento do compliance e anticorrupção de forma legal, nos EUA. São anos de trabalho, desde o berço do compliance.
Malara ressaltou que os escritórios de advocacia, inicialmente, não viam o compliance como algo de destaque. Sua carreira foi justamente pautada em, aos poucos, abraçar cada vez mais as áreas do direito ligadas ao compliace, como a FCPA. Ele começou a construir uma especialização sólida na área de compliance, até inclusive sair do seu escritório para iniciar um atendimento próprio. “O bom do compliance é que a gente não tem concorrentes, somos amigos e parceiros”, comentou ele.
Letícia comentou, em cima da fala de Malara, que é “interessante como você aceitou desafios para os quais nem havia solução, ainda”. Hoje, ainda, os profissionais de compliance enfrentam desafios assim, e isso parece fazer parte da área de compliance. “Não existem soluções prontas e os dilemas são extremamente complexos”.
“A diferença de perfil de compliance officer no Brasil e nos EUA vem de uma diferença cultural muito forte, desde a escola. O compliance officer dos EUA tem o costume de trabalhar de forma muito transparente, enquanto no Brasil, o compliance officer precisa de muita coragem porque está trabalhando em uma cultura que está em transição, sem os parâmetros de experiência que os EUA têm. No Brasil, denuncismo é visto como a pior coisa do mundo”, comentou Isabel.
O conflito cultural muito grande torna o trabalho muito mais difícil para os compliance officers brasileiros, sem contar as leis trabalhistas brasileiras muito difíceis de lidar. Apesar de tudo, “não somos o país mais corrupto do mundo”, completou Isabel.
“Embora nós nos comparemos com outros países com maior experiência, o Brasil é um país que se destaca com grande maturidade em compliance, o que tem solidez em compliance na América Latina”, completou Letícia, sobre a colocação de Isabel.
Os participantes continuaram comentando sobre algumas
precauções de suas profissões, e da atuação com compliance, mostrando que a prática é sempre cheia de surpresas, mas também de realizações.

 

Texto: Welton Ramos

Gustavo Biagioli (Demarest Advogados)

Isabel Franco (Azevedo Sette Advogados)

Letícia Sugai (Veritaz / IPACOM)

Luciano Malara (Missão Compliance)

Glades Chuery (Grant Thornton)

 

#ComplianceAcrossAmericas #ExpoCompliance #ComplianceChanges #CAA #PremioCAA

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