3º PAINEL – Ética Corporativa e Cultura de Compliance

No primeiro painel do segundo dia do II Compliance Across Americas tivemos a discussão sobre o tema “Ética Corporativa e Cultura de Compliance”.
Participaram desse painel Bartosz Makowicz (Viadrina Compliance Center), Christian de Lamboy (Volkswagen), Humberto Mota Filho (ACRJ), Luciano Pavarini (Stericycle), Massamitsu Alberto Iko (Bunge) e Oswaldo Basile (Trusty Consultores / Resguarda no Brasil). Roberta Codignoto (Missão Compliance) foi a moderadora.

O Dr. Makowicz iniciou a discussão comentando que o compliance nada mais é do que cumprir as obrigações que uma organização demanda. A ética é lidar com o exame do comportamento das pessoas, avaliando o que é bom ou ruim. Porém, ele prefere usar o termo Valores. “Prefiro falar sobre valores, porque os valores são os ingredientes da cultura. Se alguém me oferece um envelope de dinheiro, não vou aceitar por conta dos meus valores, mesmo quando aceitar seja a norma social”.
Por fim, segundo Dr. Makowicz, compliance é lidar com pessoas e seus valores, e entender por que elas fazem o que fazem, com seus comportamentos particulares. Justamente por isso se levanta a questão sobre utilizar o compliance apenas como uma “fachada” dentro das empresas.
O Dr. Lamboy apontou que usar o compliance apenas de forma aparente é um problema de estrutura e de conduta da empresa, e que esse não é um problema apenas dos países emergentes. “As estruturas que fortalecem a postura de não seguir a ética e compliance estão relacionadas à cultura de medo, muitas vezes do funcionário para com sua chefia”, aponta ele.
Há medo de uma demissão ao se falar de um problema observado. Dar a possibilidade de os funcionários falarem abertamente é algo importante, e canais de denúncia são uma segurança fundamental a ser considerada. É uma questão de cultura moral, o que dialoga justamente com a construção e cultura através de valores, apontada pelo Dr. Markowicz, anteriormente.
O Dr. Makowicz ainda acrescentou que é preciso criar uma reflexão em cima da dinâmica de quem denuncia uma situação de corrupção, ou falta de ética, dentro das empresas. Há uma ideia de que quem denuncia é quem está errado, e não quem está cometendo a falta de ética, e isso é algo importante. Essa é a importância dos whistleblowing system, onde quem denuncia passa a ser visto pela sua contribuição para a empresa.
O Dr. Mota, tendo a palavra, comentou sobre algumas histórias em que o compliance fez a diferença dentro das empresas, nos anos 1980, justamente pela lida com essa questão de confiança entre os funcionários. Um caso que chamou a atenção foi o da GM e a da Toyota.
A GM era líder de mercado nos EUA, entre 1970 e 1980. Quando a Toyota chegou ao mercado, a GM não deu muita importância. Com o tempo, o crescimento da montadora fez com que a GM buscasse entender o que eles estavam fazendo de diferente, e melhor.
Primeiramente eles acreditaram que a questão tinha a ver com as linhas de produção automatizadas com robôs. A Toyota abriu as portas de sua fábrica para mostrar o que eles tinham. Porém, colocar robôs não adiantou para a GM. Quando eles voltaram à Toyota, mais um conceito foi aprendido, o de sistema de qualidade, onde um funcionário de chão de fábrica podia parar a produção quando identificava um erro.
Ao tentar implementar isso, a GM teve problemas, já que funcionários e chefes entravam em conflito, pois a linha de produção parada custava mais do que o salário de um funcionário. A GM e Toyota chegaram a tentar fazer uma join venture, produzindo basicamente o mesmo carro, porém a Toyota ainda tinha a preferência do público e maior lucro.
A Toyota, por fim, falou à GM sobre a importância de seu sistema de identificação de erro e do diálogo entre os colaboradores. Um funcionário que paralisa uma linha de produção não o faz levianamente, mas sim porque ele entende que os defeitos são preciosos, e isso é o que faz a diferença na qualidade do carro.
Basicamente ele era premiado por identificar o erro, ao invés de condenado, como nas fábricas da GM. Assim é o compliance, ele precisa reconhecer e valorizar os erros. Há de se ter um senso de propósito. Você fala sobre o erro porque acredita na empresa, e no que é certo.
“Senso de propósito, senso de pertencimento, visão de longo prazo, engajamento, voz e responsabilidade do chão de fábrica que tenha confiança da alta administração são estratégias voltadas a valores”, comentou Mota. Isso é o que faz a verdadeira diferença.
O painel se seguiu com colaborações dos Drs. Iko, Pavarini e Basile ressaltando como o DNA das empresas precisa ser composto da ética corporativa, e como é preciso dar atenção ao combate à cultura do medo nas empresas, protegendo os whistleblowers, mostrando os erros e os reconhecendo como geradores de valor para a empresa. “As empresas não são desonestas, nós somos desonestos”, finalizou Basile sobre o foco de combate à falta de ética sempre ter de ser o indivíduo.

Texto: Welton Ramos

Bartosz Makowicz (Viadrina Compliance Center, Alemanha)

Christian de Lamboy (Volkswagen)

Luciano Pavarini (Stericycle)

Massamitsu Alberto Iko (Bunge)

Oswaldo Basile (Trusty Consultores / Resguarda)

Roberta Codignoto (Missão Compliance)

#ComplianceAcrossAmericas #ExpoCompliance #ComplianceChanges #CAA #PremioCAA

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